8 de Março, por Maria Aparecida Motta

O Fórum Internacional de Mulheres do Futuro pela Paz do Planeta e os Grupos ARTFORUM Brasil XXI divulgam artigo sobre o Dia Internacional da Mulher

8 de março

                Maria Aparecida Motta

Século XXI e ainda estamos em busca de acertarmos harmonicamente as relações humanas no conjunto da sociedade. Mais uma vez estamos em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, data esta celebrada tendo sua origem em 1857, com a greve das tecelãs da Cotton, em Nova Yorque. Como resposta, o patrão não hesitou em provocar um incêndio, matando 129 operárias.

                Bem, mas voltemos aos dias atuais. Houve, sem dúvida, mudanças de comportamento nas relações domésticas e de trabalho. No entanto, a voz daquelas operárias ainda ecoa em nosso meio clamando por um tratamento justo e igualitário, quando a questão de músculos e força não está em jogo.

                Considero-me adepta de princípios feministas desde jovem, porém coloco-me sempre como parte da espécie humana nas questões de discernimento em relação ao que se pretende formular ou discutir. Ao longo da civilização, a luta pela afirmação do “sexo frágil” manifestou-se nos vários segmentos da sociedade, com mais ou menos intensidade. No entanto, vemos e ouvimos notícias diárias de espancamentos, morte,  agressões verbais, eliminação de projetos e empregos contra as mulheres. Quando a cabeça de uma mulher se põe a pensar, a dizer ”não”, a reivindicar direitos, estabelece-se o alerta do outro lado do mundo feminino.

                No Brasil (e em outros países) vivemos numa sociedade arraigadamente machista. Há evidentemente muitos homens cuja lucidez extrapola o comum e colocam-se em qualquer situação, lado a lado, na luta e na defesa da igualdade de gêneros. Entretanto, o machismo não é privilégio do sexo masculino. É tão culturalmente enraizado que não raras vezes as próprias mulheres manifestam atitudes machistas ou são coniventes, até por medo, com o teor das mesmas.

                A minha reflexão de hoje vai além das flores distribuídas ou presenteadas às mulheres. É necessário transpor barreiras, exigindo o respeito à causa feminina. Que sejam punidas as mortes passionais sejam respeitadas as suas escolhas amorosas e crenças religiosas, as suas opções ideológicas, os cargos que ocupam, o seu direito de ser ou não ser mãe, as suas angústias, as suas aspirações.

                Neste 8 de março compartilho com as minhas co-irmãs os anseios por uma existência digna e justa  em nossa sociedade, em nosso país. Não poderemos reconhecer a nossa  alma feminina enquanto mulheres forem discriminadas, violentadas, mutiladas, executadas, exploradas,  em nome de sua suposta inferioridade (pois há muito foi demonstrado que isto é falso) e em nome da intolerância. A relação entre gêneros não pode ser de confronto, mas de complemento nas mais diferentes formas de ocupar espaços ou de relacionamentos. Ao colocar a mulher no centro da reflexão de hoje, finalizo com o apelo ao respeito pleno, pois de seu corpo germinarão os filhos, de sua alma germinarão os sonhos...  

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Maria Aparecida Motta é formada em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, em 1971, Maria Aparecida Dellinghausen Motta cursou estudos pós-graduados em antropologia filosófica na mesma universidade (1973-1976) e em filosofia e história da educação na Unicamp (1981-1984). Lecionou filosofia no ensino médio e superior em Cachoeira do Sul (RS), entre 1974 e 1980, e na Pontifícia Universidade Católica de Campinas, de 1982 a 1984. Desde muito jovem exerce atividades literárias, tendo publicado poesias no Jornal do Povo (de Cachoeira do Sul-RS), Correio do Povo (de Porto Alegre-RS), Correio Popular (de Campinas-SP), A Palavra, A Fonte e O Guia (de São Sepé-RS). Participou, também, das antologias Poetas do Vale II (Porto Alegre, Martins Livreiro-Editor) e Poetas do Vale III (Cachoeira do Sul, Coopecom), publicadas nas décadas de 1980 e 1990. Publica, regularmente, crônicas nos jornais de São Sepé, sua cidade natal. Atualmente desenvolve atividades junto à Editora Autores Associados, de Campinas, como membro de seu Conselho Editorial, sendo responsável pela organização do Diário dos Autores, cujos volumes correspondentes aos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008 já foram editados. É autora do livro Aurora da Vida, publicado em 2005 por esta editora, e de Rosas do tempo, editado em 2007, também pela Autores Associados.


imagem internet, AD


Brasil, 8 de Março de 2011

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